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A Kweichow Moutai Co. Ltd., estatal controlada pelo governo da província de Guizhou, segue um calendário que não aceita pressa. O ciclo de produção do baijiu da casa dura um ano inteiro, do plantio do sorgo à última destilação.
A empresa resume o processo em números: duas adições de grão, nove cozimentos, oito fermentações e sete destilações. O sorgo vermelho é moído grosso, fermenta em fossos de pedra e volta ao alambique a cada etapa.
Depois do alambique, a bebida descansa em jarras de barro por anos. Só então os mestres de mistura combinam lotes de idades diferentes, e a garrafa sai da fábrica cerca de cinco anos após a colheita do grão, segundo a própria Kweichow Moutai.
O lugar também entra na receita. A empresa repete que o ar úmido da cidade de Maotai, a água do rio Chishui e os microrganismos que vivem nas paredes das adegas não existem em outra cidade.
Nos anos 1970, o governo chinês testou a tese. Um projeto oficial tentou reproduzir a receita em Zunyi, a pouco mais de cem quilômetros, com técnicos e grãos de Maotai. A bebida saiu diferente e acabou virando outra marca, a Zhenjiu.
Aqui entra o prêmio de marca (o valor extra que o cliente paga por um nome em que confia). Na Moutai, o prêmio nasce da escassez: a garrafa que chega ao balcão hoje foi decidida cinco anos atrás, e nenhuma fila nova acelera o barro nem o rio.
A Moutai vende uma garrafa que a própria fábrica não consegue multiplicar quando a procura sobe.
A medalha de San Francisco
Em 1915, a Moutai foi levada à Exposição Internacional Panamá-Pacífico, em San Francisco, nos Estados Unidos, e voltou com uma medalha. A empresa usa o prêmio até hoje na comunicação.
A versão contada pela marca inclui uma cena. A garrafa de barro, sem rótulo vistoso, passava despercebida pelos jurados até que um integrante da delegação chinesa a deixou cair no chão; o cheiro tomou o pavilhão e atraiu os avaliadores.
A cena não tem registro independente. A medalha aparece nos documentos da feira; a queda da garrafa, de propósito ou por acidente, só existe no relato da própria empresa, e ninguém sabe se aconteceu.
A idade completa o prêmio. Como o baijiu fechado continua mudando de aroma, a garrafa com ano antigo no rótulo vale mais no leilão, e a caixa guardada hoje promete render amanhã para quem souber esperar.
O selo de origem fecha a cerca. Desde 2001, a China reconhece Moutai como indicação geográfica protegida (selo que reserva o nome a um território), e só a bebida feita na área demarcada da cidade pode levar a palavra no rótulo.
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