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Um supermercado tradicional trabalha com dezenas de milhares de itens diferentes na mesma loja. A Aldi trabalha com aproximadamente 1.400, e essa diferença de ordem de grandeza é o começo da explicação do preço na etiqueta. Onde o concorrente oferece vinte versões de ketchup, a rede oferece uma. O comprador da rede escolhe no lugar do cliente, negocia um volume enorme com um único fornecedor e leva aquele item para a operação inteira. O resultado é poder de barganha concentrado. Um pedido que representa a categoria toda, numa cadeia de milhares de lojas, compra um preço por unidade que nenhum pedido fatiado entre vinte marcas alcança. O prêmio da marca própria aparece em números diretos:
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I O Prêmio de Marca
O preço que cabe em 1.400 itens
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| • | Participação de marca própria no que a rede vende: cerca de 90% |
| • | Itens diferentes disponíveis por loja: aproximadamente 1.400 |
| • | Ano em que o nome Aldi apareceu, contração de Albrecht Diskont: 1962 |
O primeiro componente do prêmio é o giro por item. Com uma referência por necessidade, cada produto vende o que vinte produtos venderiam separados, ocupa menos metro linear, sobra menos no estoque e chega em caminhão mais cheio.
O segundo é a camada de margem que deixa de existir. No modelo comum, o dono da marca famosa embute no preço de atacado a própria estrutura comercial, a verba de mídia e o próprio lucro, e o varejo ainda acrescenta a margem dele por cima.
O terceiro é o controle da ficha técnica. A rede define receita, gramatura, embalagem e fornecedor, pode trocar a fábrica sem que o cliente perceba, e retém uma informação de custo que o dono da marca famosa nunca compartilha com o varejista.
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"Posicionamento não é o que você faz com um produto. Posicionamento é o que você faz com a mente do cliente potencial."
> Al Ries e Jack Trout, Positioning: The Battle for Your Mind, 1981
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A definição de Ries e Trout ajuda a enxergar a inversão. A mente do cliente continua ancorada numa marca, só que a marca deixou de ser a do fabricante e passou a ser a da loja, que responde sozinha por tudo que está dentro da sacola.
A consequência comercial é uma troca de garantidor. Numa categoria normal, o nome impresso na embalagem responde pela qualidade e o varejo apenas revende. Numa loja de marca própria quase total, o varejo assume o risco inteiro e cobra por ele em preço mais baixo.
O concorrente que quer copiar não fica sem saída, apenas descobre o tamanho da conta. Ele precisaria abrir mão da receita que vem das marcas famosas, encolher o catálogo em uma ordem de grandeza e sustentar a queda de faturamento até o novo formato girar.
Por trás dessa vantagem existe uma sequência de decisões que quase ninguém associa a marketing. Alguém precisou cortar a variedade primeiro e só depois usar o volume concentrado como argumento na mesa de negociação com a indústria.
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