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A Melissa nasceu em 1979, quando a Grendene lançou o modelo Aranha, uma sandália de tiras cruzadas inspirada nos calçados dos pescadores da Riviera Francesa (o litoral sul da França, no Mediterrâneo).
O lançamento pegou carona na televisão. A novela Dancin' Days, da Rede Globo, exibida entre 1978 e 1979, pôs a sandália de plástico nos pés das personagens, e a procura pelo modelo cresceu nas lojas do país.
O sucesso trouxe um risco. Sandália de novela tem prazo: some quando a novela acaba. A Grendene precisava de um motivo para a Melissa continuar na moda depois do último capítulo.
A resposta foi buscar nomes de fora. Em 1983, a empresa chamou Jean Paul Gaultier e Thierry Mugler, dois franceses em ascensão nas passarelas, para assinar coleções da marca.
Para os dois franceses, a sandália era um teste curioso: desenhar para um material que a alta-costura desprezava, com tiragem de fábrica e preço de loja de bairro.
O roteiro da parceria se repete desde então, e cabe em quatro passos.
1. Escolher um criador conhecido fora do mundo do calçado.
2. Entregar a ele o molde de injeção como tela em branco.
3. Gravar o nome dele na sola e na caixa.
4. Vender a coleção por tempo limitado, até acabar o estoque.
A lista cresceu com os anos. Em 2004, os irmãos Fernando e Humberto Campana, designers de móveis paulistanos, desenharam uma Melissa com tiras de plástico emaranhadas, no estilo das cadeiras deles.
Em 2008, a britânica Vivienne Westwood, estilista ligada ao punk, assinou a primeira de várias coleções. A parceria com ela virou uma das mais longas da marca, com sapatos de coração e laço de plástico.
Karl Lagerfeld, então diretor criativo da Chanel, também assinou modelos para a Melissa. Cada coleção trazia um nome que o cliente já conhecia de revista de moda.
Cada nome de fora empresta à Melissa um pedaço do prestígio que o plástico não tinha.
O movimento tem uma vantagem rara. O molde é caro, mas a peça sai barata, e a coleção assinada usa a mesma fábrica, o mesmo PVC e a mesma linha de produção das sandálias comuns.
O estilista recebe vitrine num mercado novo. A Grendene recebe o nome dele estampado num objeto barato de produzir. Os dois lados ganham, e o cliente leva para casa uma peça de passarela pelo preço de um sapato.
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