In partnership with

Marcas Memoráveis   Marcas Memoráveis
ED 069
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →
{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

A sandália de plástico gaúcha assinada por Gaultier

Em 1983, a Grendene pôs a Melissa nas mãos de dois estilistas franceses e passou a vender PVC injetado como peça de moda.

Sandália Melissa de plástico transparente sobre um croqui de moda.

A Melissa ganhou sobrenome francês em 1983

▼
 

Aos 31 anos, o estilista francês Jean Paul Gaultier aceitou em 1983 desenhar uma sandália de plástico para uma fábrica de Farroupilha, cidade da serra gaúcha conhecida pelas malhas e pelo vinho.

A fábrica era a Grendene, aberta em 1971 pelos irmãos gêmeos Alexandre e Pedro Grendene Bartelle. A empresa começou fazendo capas de plástico para garrafões de vinho e peças para máquinas agrícolas.

A sandália se chamava Melissa. Saía de um molde de injeção (a máquina que derrete o PVC, o plástico das mangueiras, e o empurra sob pressão para dentro de uma forma de metal). Uma peça inteira, sem costura, sem cola e sem couro.

Naquele ano, o também francês Thierry Mugler, então com 35 anos, assinou outro modelo para a marca.

Gaultier ainda não tinha vestido a cantora Madonna com o sutiã de cone, figurino que viria em 1990. Em 1983, era um nome em ascensão, admirado pela imprensa de moda e pouco conhecido fora dela.

Os dois desfilavam em Paris, onde roupa de autor se vendia em butique e sob medida. A Melissa se vendia em loja de calçado de bairro, empilhada em caixa de papelão.

O encontro parecia improvável. Um estilista empresta o nome para um objeto e espera que o objeto suba de categoria. O plástico injetado, na cabeça do comprador, era material de chinelo de praia.

Na fábrica gaúcha, o desenho do estilista virava um molde de metal. Depois de pronto, o molde soltava pares iguais o dia inteiro, sem mão de artesão no processo.

A Grendene apostou que o nome de fora mudaria a prateleira onde a sandália morava. A aposta funcionou, e a empresa repete a fórmula há mais de quatro décadas, com estilistas, arquitetos e artistas plásticos.

Como uma peça de PVC, feita aos milhares pela mesma máquina, passou a ser vendida como moda, e quanto a marca cobra por esse salto, você lê logo abaixo.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

The Popcorn Brand Turning Heads and Raising Capital

What does it look like when a consumer brand starts to break out?

Popsmith generated $5.8M in revenue in 2025 and is projecting $9M in 2026, with more than 100,000 customers and $20M+ in lifetime sales.

The brand has already earned national recognition through Oprah’s Favorite Things and partnerships with Costco, Sur La Table, and Williams Sonoma, where Popsmith is rolling out nationwide this holiday season.

Now Popsmith is raising capital to accelerate its next stage of growth, and individual investors have the opportunity to become shareholders.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O Prêmio de Marca

Um chinelo com sobrenome

A resposta de ontem

Qual foi o primeiro aspirador ciclônico de Dyson, e onde foi vendido?

Foi o G-Force, um aspirador cor-de-rosa fabricado sob licença pela Apex Inc. e vendido no Japão a partir de 1986, por cerca de 2 mil libras. Os royalties japoneses bancaram a fábrica própria, e o DC01 chegou às lojas britânicas em 1993 com o nome Dyson na carcaça.

A sandália Melissa, fabricada pela Grendene desde 1979, sai da mesma família de máquinas que produz chinelos populares. O PVC é parecido, o processo é o mesmo, e um par fica pronto em poucos minutos.

O preço segue outra lógica. Na mesma loja de shopping, uma Melissa custa várias vezes o valor de uma sandália de plástico sem marca.

Aqui entra o prêmio de marca (o valor extra que o cliente aceita pagar por um nome em que confia). No caso da Melissa, o cliente paga pela assinatura, pelo cheiro e pela história, e o plástico custa quase o mesmo.

A assinatura veio primeiro. Com Gaultier e Mugler em 1983, a sandália ganhou um argumento que nenhum concorrente de PVC tinha: o modelo trazia o nome de quem desfilava em Paris.

O cheiro veio junto. A Grendene adiciona uma fragrância ao plástico, um aroma doce que lembra chiclete, e quem abre a caixa reconhece a marca de olhos fechados.

O cheiro trabalha também fora da loja. Quem teve uma Melissa na infância lembra do aroma anos depois, e a lembrança puxa a compra seguinte, agora para a filha.

O plástico com nome próprio

A empresa batizou o próprio material de Melflex, um PVC com fórmula registrada pela Grendene. O nome técnico virou parte do discurso: a sandália deixou de ser “de plástico” e passou a ser “de Melflex”.

Dar nome ao material tira a peça da comparação direta. O cliente compara chinelo com chinelo; uma fórmula própria não tem par na gôndola.

A Melissa cobra pelo nome gravado na sola, e o PVC entra quase de graça.

A loja completou o movimento. Em 2005, a Grendene abriu a Galeria Melissa na rua Oscar Freire, em São Paulo, endereço das grifes de luxo da cidade. A fachada muda a cada temporada, com instalações de artistas.

Em 2012, a marca abriu uma galeria em Nova York, no bairro do SoHo. A sandália gaúcha ganhou vitrine na mesma vizinhança das grifes europeias.

Uma galeria quase não vende volume. Ela existe para a sandália da loja de shopping parecer peça de exposição, e o preço da prateleira comum sobe junto.

O comprador que entra na galeria sai com uma ideia na cabeça: a Melissa pertence ao mundo da arte e da moda. Quando encontra a mesma sandália no shopping do bairro, leva junto essa ideia, e paga por ela.

 
 

II  O Movimento

A sandália dos pescadores franceses

A Melissa nasceu em 1979, quando a Grendene lançou o modelo Aranha, uma sandália de tiras cruzadas inspirada nos calçados dos pescadores da Riviera Francesa (o litoral sul da França, no Mediterrâneo).

O lançamento pegou carona na televisão. A novela Dancin' Days, da Rede Globo, exibida entre 1978 e 1979, pôs a sandália de plástico nos pés das personagens, e a procura pelo modelo cresceu nas lojas do país.

O sucesso trouxe um risco. Sandália de novela tem prazo: some quando a novela acaba. A Grendene precisava de um motivo para a Melissa continuar na moda depois do último capítulo.

A resposta foi buscar nomes de fora. Em 1983, a empresa chamou Jean Paul Gaultier e Thierry Mugler, dois franceses em ascensão nas passarelas, para assinar coleções da marca.

Para os dois franceses, a sandália era um teste curioso: desenhar para um material que a alta-costura desprezava, com tiragem de fábrica e preço de loja de bairro.

O roteiro da parceria se repete desde então, e cabe em quatro passos.

1. Escolher um criador conhecido fora do mundo do calçado.

2. Entregar a ele o molde de injeção como tela em branco.

3. Gravar o nome dele na sola e na caixa.

4. Vender a coleção por tempo limitado, até acabar o estoque.

A lista cresceu com os anos. Em 2004, os irmãos Fernando e Humberto Campana, designers de móveis paulistanos, desenharam uma Melissa com tiras de plástico emaranhadas, no estilo das cadeiras deles.

Em 2008, a britânica Vivienne Westwood, estilista ligada ao punk, assinou a primeira de várias coleções. A parceria com ela virou uma das mais longas da marca, com sapatos de coração e laço de plástico.

Karl Lagerfeld, então diretor criativo da Chanel, também assinou modelos para a Melissa. Cada coleção trazia um nome que o cliente já conhecia de revista de moda.

Cada nome de fora empresta à Melissa um pedaço do prestígio que o plástico não tinha.

O movimento tem uma vantagem rara. O molde é caro, mas a peça sai barata, e a coleção assinada usa a mesma fábrica, o mesmo PVC e a mesma linha de produção das sandálias comuns.

O estilista recebe vitrine num mercado novo. A Grendene recebe o nome dele estampado num objeto barato de produzir. Os dois lados ganham, e o cliente leva para casa uma peça de passarela pelo preço de um sapato.

 

Quem banca a edição de hoje

See what's really happening in every deal

Aligned shows you what buyers are doing between meetings inside your most important deals then surfaces the risks, openings, and next steps. No more guessing where a deal stands or finding out a champion went quiet too late. Just real visibility, so you can act before it's too late.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Erro de Marca

Quando o plástico voltou a ser chinelo

O erro: deixar a marca de moda descer para a prateleira do produto barato.

O que custa: o cliente que pagava pelo nome passa a enxergar só o plástico.

O que fica: prestígio emprestado precisa de renovação constante.

Depois do auge dos anos 1980, a Melissa perdeu força. Nos anos 1990, a marca saiu das vitrines de moda, a sandália ficou associada a calçado de criança e de praia, e a Grendene chegou a encolher a linha.

O risco cresce porque a Grendene vende sandália barata há décadas. Quando a mesma empresa assina o chinelo popular e a sandália de galeria, o cliente pode juntar as duas na memória, e a mais cara perde o motivo do preço.

O motivo está no próprio material. O PVC injetado permite produzir muito e barato, e a tentação de vender mais pares, em mais lojas, com menos novidade, é grande para qualquer fabricante.

Cada par a mais numa loja de desconto apagava um pouco a lembrança das passarelas de 1983. O nome continuava na sola, mas o cliente deixava de associar a sandália a um estilista.

A Grendene corrigiu o rumo no fim da década de 1990 e nos anos 2000. Voltou às coleções assinadas, abriu as galerias e passou a tratar a Melissa como marca separada do resto do catálogo da empresa, que segue fabricando sandálias populares como Rider e Ipanema.

Separar as marcas foi a peça central da correção. A mesma fábrica produz o chinelo de praia e a sandália de galeria, mas cada uma tem nome, loja e preço próprios, e uma não contamina a outra.

O caso vale para qualquer marca que vive de prestígio emprestado. Parceria com nome famoso sobe o preço por uma temporada; sem a parceria seguinte, o preço volta ao chão do material.

A Melissa sobreviveu porque a Grendene tratou a parceria como rotina de calendário, com coleção nova a cada temporada, e nunca como evento único de 1983.

Três perguntas para quem empresta prestígio

1. O seu produto ainda carrega o nome que o tornou desejado?

2. A versão barata e a versão cara estão separadas por nome e por loja?

3. Quando foi a última parceria que renovou a sua marca?

1979. Foi o ano em que a Grendene lançou a primeira Melissa, o modelo Aranha, segundo a história oficial da empresa. Quase três décadas depois, a fila de parceiros ganhou uma vencedora do maior prêmio da arquitetura.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Qual arquiteta vencedora do Prêmio Pritzker desenhou uma Melissa em 2008?

 
 
Quiz da edição

Em 1983, a Grendene entregou o desenho da Melissa a Jean Paul Gaultier. Em qual cidade gaúcha fica a fábrica que produz a sandália?

ACaxias do Sul
BFarroupilha
CNovo Hamburgo
DBento Gonçalves

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🏷️🏷️🏷️🏷️🏷️  ótima 🏷️🏷️🏷️🏷️  boa 🏷️🏷️🏷️  ok 🏷️🏷️  ruim 🏷️  péssima
 
Recomendação de Newsletter
Civilizações Perdidas

Civilizações Perdidas

Às 20:20 na sua caixa: o capítulo do dia sobre um império que nasceu, prosperou e colapsou. E o que esse ciclo revela sobre o presente.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

A etiqueta explicada, todo dia.

Marcas Memoráveis

MARCAS MEMORÁVEIS

Uma marca por dia, e o porquê do preço

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter