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Aos 16 anos, em 1998, a estagiária Renata Moraes Vichi entrou no grupo de chocolates que o pai havia comprado dois anos antes e ganhou uma tarefa de adulto: desenhar o modelo de franquia da Kopenhagen. Ela contou o episódio em entrevista à Advent International, publicada no site da gestora, e descreveu a franquia como o projeto que destravou a expansão da rede.
A empresa que ela encontrou vendia caro por construção. A Kopenhagen nasceu em São Paulo em 1928, fundada pelo casal letão Anna e David Kopenhagen, e passou décadas ensinando o brasileiro a tratar chocolate como presente, com caixa azul, papel de seda e um balconista que embrulha na frente do cliente.
O Grupo CRM assumiu a marca em 1996, sob o comando de Celso Ricardo de Moraes, e herdou junto um problema simples de enunciar e caro de resolver. Todo dia, no corredor do shopping, gente passava na frente da vitrine, olhava a bandeja de bombons, calculava a conta e seguia andando.
Aquela pessoa queria chocolate bom. Ela apenas não queria pagar preço de presente para comer um doce numa terça-feira à tarde. Demanda existia, e existia em volume, só que abaixo do número que a etiqueta azul podia praticar sem se desmanchar.
Uma empresa nessa situação tem caminhos previsíveis. Pode baixar o preço da linha inteira, pode criar uma versão econômica dentro do próprio cardápio, pode promover desconto agressivo fora da Páscoa. Todos funcionam por um trimestre e cobram a conta na temporada seguinte, porque o cliente que pagou caro aprende que o preço cheio é opcional.
Em 2009, o grupo escolheu um caminho que custa mais no começo e cobra menos depois: criou uma marca nova, com nome próprio, loja própria e produto próprio, para ocupar a faixa que a Kopenhagen recusava. O portal Sua Franquia registrou, em setembro de 2009, que a recém-nascida Chocolates Brasil Cacau já somava 12 lojas no país.
Vale entender primeiro o que exatamente o cliente paga quando paga uma caixa azul, porque é essa conta que a faixa barata ameaçava.
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