|
Em maio de 1904, o engenheiro inglês Henry Royce, de 41 anos, almoçou em Manchester com o aristocrata Charles Rolls, de 26, dono de uma revenda de carros importados em Londres.
Royce fabricava guindastes elétricos e tinha montado três carros próprios. Rolls aceitou vender toda a produção dele com uma condição: os carros sairiam com o nome dos dois.
A Rolls-Royce Limited foi registrada em 1906. No ano seguinte, um exemplar do modelo 40/50, pintado de prata e apelidado de Silver Ghost (Fantasma Prateado), rodou mais de 20 mil quilômetros num teste acompanhado pelo Royal Automobile Club, o clube automobilístico britânico.
O carro virou o padrão de luxo da aristocracia britânica, de marajás indianos e de chefes de Estado. A grade em forma de templo e a estatueta Spirit of Ecstasy (Espírito do Êxtase), criada em 1911 pelo escultor Charles Sykes, viraram a assinatura visual da marca.
O dinheiro no céu
Charles Rolls morreu em 1910, num acidente de avião, e não viu a segunda frente da empresa. Na Primeira Guerra Mundial, Royce desenhou o Eagle, um motor de avião, e a Rolls-Royce passou a viver de motores.
Na Segunda Guerra, o motor Merlin equipou os caças Spitfire e Hurricane. Para fabricá-lo, a empresa abriu em 1938 uma fábrica em Crewe. Em 1946, a montagem dos carros se mudou para lá, junto com a Bentley, comprada pela Rolls-Royce em 1931.
O carro dava a fama; o motor de avião pagava as contas.
Em 1971, o motor RB211, desenvolvido para o avião Lockheed TriStar, estourou o orçamento e levou a Rolls-Royce à falência. O governo britânico de Edward Heath estatizou a empresa para salvar a produção de motores militares e civis.
A separação
Em 1973, o governo separou os carros e vendeu a divisão em bolsa como Rolls-Royce Motors. A parte de motores, estatal, ficou com o nome e o emblema, e passou a licenciar os dois para a fábrica de carros.
O contrato trazia uma trava: o direito de uso podia voltar à empresa dos motores se a fábrica de carros mudasse de controle.
Em 1980, a Vickers comprou a Rolls-Royce Motors. Em 1987, a Rolls-Royce dos motores foi privatizada e virou a Rolls-Royce plc, ainda dona do registro.
O prêmio da marca estava montado. Dois sobrenomes de 1904 valiam, sozinhos, o preço de um carro de luxo, e quem guardava esses sobrenomes fabricava turbinas.
|