A resposta de ontem Qual agência criou a palavra Lexus? A Lippincott & Margulies, consultoria de marcas de Nova York, montou uma lista de 219 candidatos para a Toyota. O favorito era Alexis; a equipe cortou o começo e trocou letras para chegar a Lexus, palavra sem significado no dicionário, escolhida por soar como luxo e tecnologia em inglês. |
Henry Graves Jr., banqueiro de Nova York, encomendou à Patek Philippe em 1925 o relógio de bolso mais complicado já construído. O pedido chegou a Genebra sem teto de funções e sem prazo fechado.
A oficina levou oito anos. A peça ficou pronta em 1933, com 24 complicações (cada função além das horas e dos minutos), entre elas calendário perpétuo, carrilhão no toque do Big Ben e o céu noturno visto do apartamento de Graves, na Quinta Avenida.
O catálogo da Sotheby's de 2014 contou cerca de 920 componentes dentro da caixa de ouro amarelo, todos ajustados à mão. Graves pagou 60 mil francos suíços em 1933, segundo o mesmo catálogo.
O relógio ficou na família por décadas. Graves o deixou para a filha, e o neto vendeu a peça em 1969 ao industrial Seth Atwood, dono do Time Museum, um museu de relógios em Rockford, no estado de Illinois.
Duas vendas em quinze anos
O museu fechou as portas, e a coleção foi a leilão. Em dezembro de 1999, a Sotheby's de Nova York vendeu o Graves por 11 milhões de dólares, recorde para um relógio naquele ano.
O comprador pediu sigilo. Anos depois, a imprensa do Golfo identificou o xeque Saud bin Mohammed Al Thani, colecionador da família real do Catar, como dono da peça.
Em novembro de 2014, a Sotheby's de Genebra pôs o relógio de novo no martelo. O lance final chegou a 23,2 milhões de francos suíços, perto de 24 milhões de dólares, e o comprador ficou anônimo; o registro público não traz a identidade dele até hoje.
Um relógio velho só dobra de preço quando o dono anterior cuidou dele.
O Graves explica a lógica do anúncio de 1996 melhor do que qualquer slogan. A peça atravessou quatro donos, uma guerra mundial e o fechamento de um museu, e voltou à venda funcionando, com a caixa original e os papéis da fábrica.
A Patek Philippe usa esse histórico como prova. A casa mantém em Genebra, desde 2001, o Patek Philippe Museum, com peças compradas de volta em leilão, e o arquivo da fábrica emite certificado de origem para relógios antigos.
O cliente novo enxerga no Graves o próprio futuro. O Calatrava comprado hoje na loja carrega a mesma promessa de oficina, peça de reposição e registro em livro.
Cada recorde em leilão funciona como anúncio grátis. A manchete do martelo chega a leitores sem interesse em relojoaria e grava a ideia central: um Patek Philippe não perde valor ao trocar de mão.
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