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Desde 1996, ninguém é dono de um Patek Philippe

A campanha Generations trocou a hora certa por herança de família e segurou o preço mais alto da relojoaria suíça.

Pai e filho lado a lado, com um relógio Patek Philippe no pulso do adulto, em foto preto e branco.

Anúncio da série Generations, Patek Philippe, 1996

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Aos 58 anos, o relojoeiro Philippe Stern, presidente da Patek Philippe, aprovou em 1996 um anúncio sem preço, sem lista de funções e quase sem relógio na foto.

A imagem mostrava um pai e um filho pequeno lado a lado, em preto e branco, numa cena comum de família. O relógio aparecia discreto no pulso do adulto. Embaixo, uma frase em inglês ocupava o espaço onde a concorrência costumava pôr o produto.

"You never actually own a Patek Philippe. You merely look after it for the next generation." Em português: você nunca é dono de um Patek Philippe, apenas cuida dele para a geração seguinte.

A campanha recebeu o título Generations (gerações, em inglês) e saiu da agência londrina Leagas Delaney, comandada pelo redator Tim Delaney. A casa suíça vinha de anos duros. O relógio de quartzo japonês, barato e preciso, tinha esvaziado as oficinas de Genebra nas décadas anteriores.

Stern enfrentava um adversário imbatível na hora certa. Um Casio de plástico marcava o minuto tão bem quanto um calibre (o motor mecânico do relógio) montado à mão em semanas de trabalho. Brigar por precisão seria perder.

A saída foi trocar o objeto da venda. O anúncio largou o instrumento e ofereceu herança. O comprador pagava agora por uma peça destinada ao filho, ao neto, a um dono ainda sem rosto.

A ideia mexia direto no preço. Quem compra para três gerações divide a conta por cem anos de uso e para de comparar a etiqueta com a de um relógio comum.

A Patek Philippe tinha lastro para sustentar a promessa. Fundada em Genebra em 1839 por Antoni Patek e François Czapek, a casa guardava registro de cada peça vendida e ainda consertava relógios do século 19 na própria oficina.

A frase de 1996 segue nos anúncios da marca, com ajustes de foto e de elenco. Mães e filhas entraram nas versões seguintes.

A primeira faixa abre o cofre de um banqueiro de Nova York, cujo relógio, encomendado nos anos 1920, provou em leilão quanto vale essa herança.

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Quem banca a edição de hoje

Blu Dot surpasses 2,000% ROAS with self-serve CTV ads

Home furniture brand Blu Dot blew up on CTV with help from Roku Ads Manager. Here’s how:

After a test campaign reached 211,000 households and achieved 1,010% ROAS, the brand went all in to promote its annual sales event. It removed age and income constraints to expand reach and shifted budget to custom audiences and retargeting, where intent was strongest.

The results speak for themselves. As Blu Dot increased their investment by 10x, ROAS jumped to 2,308% and more page-view conversions surpassed 50,000.

“For CTV campaigns, Roku has been a top performer,” said Claire Folkestad, Paid Media Strategist, Blu Dot. “Comping to our other platforms, we have seen really strong ROAS… and highly efficient CPMs, lower than any other CTV partner we've worked with.”

Using Roku Ads Manager, the campaign moved from a pilot to a permanent performance engine for the brand.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 

I  O Prêmio de Marca

O relógio de Henry Graves

A resposta de ontem

Qual agência criou a palavra Lexus?

A Lippincott & Margulies, consultoria de marcas de Nova York, montou uma lista de 219 candidatos para a Toyota. O favorito era Alexis; a equipe cortou o começo e trocou letras para chegar a Lexus, palavra sem significado no dicionário, escolhida por soar como luxo e tecnologia em inglês.

Henry Graves Jr., banqueiro de Nova York, encomendou à Patek Philippe em 1925 o relógio de bolso mais complicado já construído. O pedido chegou a Genebra sem teto de funções e sem prazo fechado.

A oficina levou oito anos. A peça ficou pronta em 1933, com 24 complicações (cada função além das horas e dos minutos), entre elas calendário perpétuo, carrilhão no toque do Big Ben e o céu noturno visto do apartamento de Graves, na Quinta Avenida.

O catálogo da Sotheby's de 2014 contou cerca de 920 componentes dentro da caixa de ouro amarelo, todos ajustados à mão. Graves pagou 60 mil francos suíços em 1933, segundo o mesmo catálogo.

O relógio ficou na família por décadas. Graves o deixou para a filha, e o neto vendeu a peça em 1969 ao industrial Seth Atwood, dono do Time Museum, um museu de relógios em Rockford, no estado de Illinois.

Duas vendas em quinze anos

O museu fechou as portas, e a coleção foi a leilão. Em dezembro de 1999, a Sotheby's de Nova York vendeu o Graves por 11 milhões de dólares, recorde para um relógio naquele ano.

O comprador pediu sigilo. Anos depois, a imprensa do Golfo identificou o xeque Saud bin Mohammed Al Thani, colecionador da família real do Catar, como dono da peça.

Em novembro de 2014, a Sotheby's de Genebra pôs o relógio de novo no martelo. O lance final chegou a 23,2 milhões de francos suíços, perto de 24 milhões de dólares, e o comprador ficou anônimo; o registro público não traz a identidade dele até hoje.

Um relógio velho só dobra de preço quando o dono anterior cuidou dele.

O Graves explica a lógica do anúncio de 1996 melhor do que qualquer slogan. A peça atravessou quatro donos, uma guerra mundial e o fechamento de um museu, e voltou à venda funcionando, com a caixa original e os papéis da fábrica.

A Patek Philippe usa esse histórico como prova. A casa mantém em Genebra, desde 2001, o Patek Philippe Museum, com peças compradas de volta em leilão, e o arquivo da fábrica emite certificado de origem para relógios antigos.

O cliente novo enxerga no Graves o próprio futuro. O Calatrava comprado hoje na loja carrega a mesma promessa de oficina, peça de reposição e registro em livro.

Cada recorde em leilão funciona como anúncio grátis. A manchete do martelo chega a leitores sem interesse em relojoaria e grava a ideia central: um Patek Philippe não perde valor ao trocar de mão.

 
 

II  O Movimento

Pai, filho e um mostrador

A campanha Generations tinha uma regra visual simples. Nenhuma foto mostrava festa, iate ou carro esportivo. O cenário era a vida doméstica: um pai ensinando o filho a dar o nó na gravata, uma mãe lendo com a filha no sofá.

O relógio entrava pequeno no quadro, quase escondido. A frase principal fazia o trabalho de venda, e o logotipo da Calatrava, a cruz de quatro pontas da marca, fechava a página.

A linha de assinatura veio depois e ficou: Begin your own tradition (comece sua própria tradição). Ela empurrava o primeiro comprador para o papel de fundador da linhagem.

A família por trás da frase

A promessa combinava com a história dos donos. Em 1932, no auge da Grande Depressão, os irmãos Charles e Jean Stern, fornecedores de mostradores da Patek Philippe, compraram a fábrica quase falida dos herdeiros dos fundadores.

Desde então, a empresa passa de pai para filho dentro da família Stern. Henri Stern entregou o comando a Philippe Stern em 1993, e Philippe entregou a presidência ao filho Thierry Stern em 2009.

A imprensa de negócios repetia o paralelo em cada entrevista. A marca vendia continuidade e tinha uma família no comando para provar a tese.

Em 2009, a casa criou o Patek Philippe Seal (selo Patek Philippe), um padrão próprio de acabamento e precisão, e abandonou o Selo de Genebra, a certificação oficial do cantão. A mensagem ao cliente: o padrão da fábrica pesa mais que o carimbo do governo.

"You never actually own a Patek Philippe. You merely look after it for the next generation." (Patek Philippe, campanha Generations, 1996)

A frase atravessou a troca de fotógrafos, de revistas e de geração de clientes sem perder uma palavra. Poucas assinaturas de anúncio passam de 25 anos intactas.

A campanha também protegeu o preço. Quando o comprador pensa em herança, a pergunta sobre o desconto soa mesquinha, e o vendedor da loja autorizada para de negociar etiqueta.

A Patek Philippe controla a oferta pelo lado da fábrica. Thierry Stern repete em entrevistas a recusa em crescer rápido, e a casa limita a produção anual para manter a fila de espera nas lojas.

Escassez e herança somam forças. O cliente espera meses por um relógio e recebe junto a ideia de guardá-lo para o neto.

O anúncio também educou o vendedor. Nas lojas autorizadas, a conversa de balcão começa pela família do cliente, pelo filho ou pela filha, e só depois chega ao modelo, à medida da caixa e à pulseira.

 

Quem banca a edição de hoje

State of Product reveals what AI still hasn’t solved

80% of product professionals say AI helps them ship faster, but customers aren’t seeing value any sooner. Atlassian’s State of Product 2027 explores the gains AI is delivering and the challenges that remain, from decision-making that hasn’t kept pace to gut instinct overriding customer evidence.

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III  O Erro de Marca

O Nautilus na fila

O erro: deixar o relógio de herança virar ficha de especulação.

O que custa: o comprador revende antes de cuidar.

O que fica: escassez demais atrai quem quer lucro rápido.

O Nautilus nasceu em 1976, desenhado por Gérald Genta, com caixa de aço inspirada na escotilha de um navio. Por décadas, foi o modelo esportivo da casa, longe dos holofotes do Calatrava.

Nos anos 2010, a referência 5711, a versão do Nautilus em aço, virou objeto de desejo das redes sociais. Fotos de jogadores, rappers e executivos com o relógio no pulso multiplicaram a procura.

A fábrica manteve a produção baixa, e a fila nas lojas autorizadas passou de anos. No mercado paralelo, o 5711 novo era revendido por duas a três vezes o preço de tabela, logo depois de sair da caixa.

O problema atacava a frase de 1996 pela raiz. O comprador típico do 5711 cuidava do relógio por semanas, e a próxima geração da campanha virava um revendedor de Miami ou de Hong Kong.

A aposentadoria do 5711

Em janeiro de 2021, Thierry Stern anunciou o encerramento do 5711 em aço. A marca declarou o modelo aposentado e cortou a referência mais disputada do catálogo.

A despedida veio em dezembro de 2021, com 170 unidades de mostrador azul-turquesa feitas em parceria com a joalheria Tiffany & Co., vendidas a clientes escolhidos pela loja de Nova York por cerca de 52 mil dólares cada.

No mesmo mês, uma dessas peças foi a leilão na Phillips de Nova York, com a renda doada a uma entidade de conservação ambiental, e o martelo bateu em 6,5 milhões de dólares.

O lance mediu a febre da especulação e reacendeu a crítica: o relógio de cuidar para o neto tinha virado ação de bolsa.

A Patek Philippe respondeu com controle mais duro. As lojas passaram a exigir histórico de compra para liberar os modelos mais disputados e a vigiar quem revendia logo depois da entrega.

O cliente flagrado na revenda rápida perdeu a vez na fila das peças raras. A casa tratou o especulador como ameaça à frase de 1996 e tentou devolver o relógio a quem pretende usar, consertar e passar adiante.

6,5 milhões de dólares. Foi o lance pelo Nautilus 5711 Tiffany na Phillips de Nova York, contra cerca de 52 mil de preço de loja (Phillips, dezembro de 2021).

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Contra qual colecionador Henry Graves Jr. disputava quando encomendou o relógio mais complicado do mundo?

 
 
Quiz da edição

Por quanto o relógio de Henry Graves Jr. foi arrematado no leilão da Sotheby's de Genebra, em novembro de 2014?

A11 milhões de dólares
B60 mil francos suíços
C23,2 milhões de francos suíços
D8,2 milhões de dólares

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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