A resposta de ontem Por que a Stella Artois tem uma estrela no rótulo? Stella quer dizer estrela em latim. A família Artois lançou a cerveja em Leuven no Natal de 1926, como edição de festas, e a estrela do rótulo homenageava a estrela de Natal. A bebida agradou tanto que entrou no catálogo fixo da cervejaria e nunca mais saiu, com a estrela no lugar até hoje. |
No dia 2 de abril de 1900, a diretoria da DMG assinou com Emil Jellinek um acordo de compra de 36 carros. O valor somava 550 mil marcos de ouro, a maior encomenda que a fábrica de Cannstatt tinha recebido até então.
A conta impressiona pelo tamanho. Em 1900, a DMG produzia poucas dezenas de automóveis por ano, feitos à mão, e um cliente sozinho acabava de comprar uma safra inteira antes de ver o primeiro protótipo.
Jellinek não pagava só pelos carros. O contrato o transformava em distribuidor exclusivo da DMG em quatro mercados de peso e trazia uma condição que nenhum comprador tinha posto no papel antes dele.
O que Jellinek levou
As cláusulas centrais do acordo, segundo o arquivo histórico da Mercedes-Benz Classic, cabem em três linhas:
1. Encomenda de 36 carros novos, desenhados para corrida e passeio.
2. Venda exclusiva na Áustria-Hungria, na França, na Bélgica e nos Estados Unidos.
3. O modelo novo sairia de fábrica chamado Mercedes.
A terceira linha valia ouro para Jellinek. Ele acreditava que a palavra trazia sorte: desde 1899, os carros inscritos como Mercedes chegavam bem colocados nas provas da Riviera, e o comerciante queria levar o amuleto para a linha de montagem. Mercédès era palavra espanhola (significa mercês, graças), sonora em qualquer língua da Europa, sem sobrenome alemão grudado e sem lembrança de acidente na estrada de La Turbie.
Quem paga a encomenda inteira ganha o direito de batizar o produto.
O desenho ficou com Wilhelm Maybach, engenheiro-chefe da DMG e braço direito de Gottlieb Daimler por quase 30 anos. Maybach baixou o chassi, alongou a distância entre os eixos e trocou a armação de madeira por aço prensado.
O motor de quatro cilindros entregava 35 cavalos, potência rara para a época. Na frente, Maybach instalou o radiador em colmeia (uma grade de pequenos tubos de água que resfria o motor), inventado por ele, que deixava o capô mais estreito e a frente do carro mais baixa.
O primeiro exemplar saiu de Cannstatt em 22 de dezembro de 1900. Historiadores do automóvel costumam chamá-lo de primeiro carro moderno: pela primeira vez, o automóvel deixava de parecer uma carruagem sem cavalo.
Mercédès Jellinek tinha 10 anos quando assinaram o papel. Viu o próprio apelido chegar às ruas pintado no radiador de um carro de corrida antes de completar 12. A família guardou fotos dela ao lado do carro, de vestido branco e chapéu, posando para o pai como quem posa para um retrato de aniversário.
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