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O erro: deixar a cor carregar a marca sozinha.
O que custa: o concorrente copia o preto e leva a lenda junto.
O que fica: o símbolo exclusivo precisa de algo além da cor.
O American Express Centurion ganhou fama como “o cartão preto”, e a American Express aceitou o apelido. A cor, porém, não tinha dono: qualquer banco podia imprimir um cartão escuro.
Em 2008, a unidade americana do Barclaycard lançou o MasterCard Black Card, de fibra de carbono e aço, com a palavra black (preto, em inglês) estampada na marca do produto.
O Black Card da Mastercard aceitava pedido pela internet. Bastava preencher o formulário, passar pela análise de crédito e pagar 495 dólares por ano, valor publicado pelo emissor.
O consumidor via agora dois cartões pretos na mesa do restaurante, um de convite e outro de formulário. Para quem estava de fora, os dois contavam a mesma história.
O garçom que recebia o cartão escuro na bandeja não sabia qual dos dois tinha nas mãos. O efeito de status que a American Express cobrava em taxa de entrada chegava ao portador do concorrente por 495 dólares ao ano.
A cor no varejo
Outros emissores vieram atrás. Bancos de vários países pintaram de preto as linhas de alta renda, inclusive no Brasil, onde os cartões Black das bandeiras Visa e Mastercard viraram categoria de prateleira.
A cor da lenda virou faixa de renda. Um cliente de salário alto num banco grande recebe hoje um cartão preto sem convite, sem taxa de entrada e, em várias ofertas, com anuidade zerada por gasto mínimo.
Cor não se registra como segredo: quem copia o preto copia a lenda.
A American Express reagiu pelo material e pelo preço. O titânio pesado e a taxa de entrada de cinco dígitos separaram o Centurion dos pretos de varejo, e a empresa manteve o convite como única porta.
A estratégia segurou o topo, com um custo. Cada aumento afastou o Centurion do uso diário e o aproximou de um recibo de riqueza, guardado na carteira para ser visto.
O erro deixou uma lição de marca. O boato pertence a quem o vende primeiro, e a cor pertence a quem quiser pintá-la. A American Express ficou com o Centurion; o preto saiu da empresa no dia em que o primeiro concorrente imprimiu o seu.
10 mil dólares. É a taxa de entrada do American Express Centurion nos Estados Unidos, paga antes da anuidade de 5 mil (The Points Guy, 2024).
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