|
A fábrica do Nano nasceu em Singur, cidade agrícola do estado de Bengala Ocidental, perto de Calcutá. Em 2006, o governo estadual desapropriou perto de 400 hectares de lavoura e entregou o terreno à Tata Motors.
Parte dos agricultores recusou a indenização. A política Mamata Banerjee, líder do Trinamool Congress (um partido regional de Bengala), organizou bloqueios na estrada da obra e fez uma greve de fome de quase um mês no fim de 2006.
Os protestos voltaram com força em agosto de 2008, com os galpões quase prontos. Em outubro daquele ano, Ratan Tata anunciou a saída de Singur, com o carro já apresentado ao público e as primeiras entregas prometidas.
O estado de Gujarat ofereceu terreno em Sanand, perto de Ahmedabad. O então ministro-chefe do estado (o cargo equivalente a governador), Narendra Modi, mandou a Ratan Tata uma mensagem de celular com uma palavra só: “Suswagatam” (bem-vindo, em híndi).
O sorteio das primeiras chaves
A mudança atrasou a produção em série. Para não perder o embalo, a Tata abriu reservas em abril de 2009 e distribuiu as primeiras 100 mil unidades por sorteio. O interessado pagava um sinal e entrava na disputa.
As reservas passaram de 200 mil pedidos em poucas semanas, segundo balanço divulgado pela Tata Motors em 2009. A fila mostrava curiosidade. A compra efetiva, nos anos seguintes, mostraria outra disposição.
Em julho de 2009, Ratan Tata entregou em Mumbai a chave do primeiro Nano a Ashok Raghunath Vichare, funcionário da alfândega da cidade, sorteado entre os primeiros compradores.
No palco de Nova Délhi, no ano anterior, Ratan Tata tinha respondido às dúvidas sobre a alta do aço e a manutenção do preço com uma frase curta, registrada no discurso de lançamento do Auto Expo de 2008:
“Uma promessa é uma promessa.”
A promessa custou caro à montadora. A fábrica de Sanand foi inaugurada em junho de 2010, e as versões mais equipadas já chegavam às lojas acima das 100 mil rúpias do anúncio.
Naquele ano, alguns Nanos pegaram fogo nas ruas. A Tata atribuiu os casos a materiais estranhos deixados perto do escapamento e ofereceu aos donos uma revisão gratuita com reforço no sistema elétrico. A notícia do fogo correu mais rápido que a explicação.
O carro mais barato do mundo virou também, nas manchetes, o carro que pegava fogo.
A produção ficou muito abaixo dos 250 mil carros anuais planejados. O melhor ano fiscal do Nano, de abril de 2011 a março de 2012, fechou com 74.527 unidades vendidas, segundo os números de vendas da Tata Motors.
|