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Existe uma categoria inteira de marcas que o consumidor final nunca escolhe e que mesmo assim vale fortunas. São os fornecedores de componente crítico, e a Takata era um exemplo de manual. O comprador dessa marca é uma engenheira de segurança dentro de uma montadora. Ela não decide por embalagem, nome bonito ou campanha. Ela decide por histórico de teste, por capacidade de entregar milhões de unidades idênticas e por quem ela responsabiliza se algo der errado. Ganhar essa compradora leva anos. A homologação de um inflador passa por ensaio de temperatura, de umidade, de envelhecimento acelerado e de colisão em pista, e o ciclo se mede em projetos de veículo, não em trimestres. O prêmio, quando vem, é de uma solidez que marca de consumo raramente alcança:
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I O Prêmio de Marca
Um quinto dos airbags do mundo
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| • | Participação global em airbags no auge: cerca de 20% |
| • | Ano de fundação da companhia: 1933 |
| • | Funcionários no mundo antes do colapso: cerca de 45 mil |
O primeiro componente do prêmio é a permanência. Um fornecedor homologado entra no projeto do carro e fica lá por toda a geração daquele modelo, o que significa receita contratada por cinco, sete, às vezes dez anos.
O segundo é o poder de precificação por confiança. Quando o item que você vende é aquele que decide se o motorista sai andando do acidente, a conversa comercial deixa de ser leilão de centavos e passa a ser sobre quem a montadora aceita colocar dentro do volante dela.
O terceiro é a barreira de saída do cliente. Trocar de fornecedor de inflador obriga a refazer testes de homologação e recertificar o veículo, e nenhuma montadora encara esse custo por uma diferença pequena de preço.
Havia ainda um quarto ativo, o mais valioso e o menos contabilizado. A Takata tinha reputação de rigor japonês em teste de segurança, construída em décadas de trabalho com cinto, e essa reputação abria portas antes de qualquer proposta comercial ser aberta.
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"Perca dinheiro para a firma e eu serei compreensivo. Perca um fiapo de reputação da firma, e eu serei implacável."
> Warren Buffett, depoimento ao Congresso dos Estados Unidos, 1991
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A frase foi dita sobre um banco, e descreve com precisão o balanço de um fornecedor de segurança. Dinheiro perdido se recupera com um trimestre bom, e reputação perdida em segurança se recupera com nada.
O detalhe que define o setor é que o cliente da Takata carregava o risco junto. Quando um inflador falha, quem chama o carro de volta é a montadora, quem responde ao órgão regulador é a montadora, e quem aparece na manchete é a marca estampada na tampa do porta-malas.
Um fornecedor de componente crítico, portanto, vende duas coisas ao mesmo tempo. Vende a peça e vende a tranquilidade de quem assina embaixo, e a segunda vale mais do que a primeira no dia em que a peça falha.
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