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O erro: apostar que o personagem famoso na propaganda bastava para sustentar cafeterias caras em mercados onde a rede era desconhecida como loja.
O que custa: unidades fechadas fora do país e anos de prejuízo na Procafecol.
O que fica: reconhecer o rosto da embalagem não significa trocar a cafeteria de costume pela sua.
Nos anos seguintes à estreia, a Procafecol abriu lojas nos Estados Unidos e na Espanha, com endereços em Nova York e em Madri. O plano era levar a cafeteria para os mesmos mercados onde o anúncio de Juan Valdez tinha feito fama.
O cliente americano conhecia o personagem, mas já tinha hábito formado. A disputa acontecia com redes que ocupavam cada esquina, ofereciam cartão de fidelidade e tinham décadas de operação local.
A marca Juan Valdez tinha força como origem do grão. Como lugar para sentar e trabalhar com um copo na mão, precisava começar do zero, com aluguel de cidade grande e pouca escala.
Várias das lojas no exterior fecharam. A Procafecol passou anos com resultado negativo nos próprios balanços, e a Federação precisou revisar a estratégia. A empresa não detalhou em público quanto cada loja estrangeira pesou nas perdas, e por esse motivo não se sabe a conta exata de cada praça.
A correção veio pelo caminho de casa. A rede concentrou a expansão na Colômbia e em países vizinhos, passou a abrir unidades por franquia e a vender o café embalado em supermercados, onde o selo de origem já trabalhava sozinho.
O personagem saiu da crise intacto. Castañeda continuou nas campanhas, e o triângulo com a mula seguiu nos pacotes de torrefadoras do mundo inteiro.
Três perguntas antes de levar a marca para outro balcão
O episódio deixa um roteiro para qualquer marca que queira mudar de prateleira para loja própria.
1. O cliente me conhece pelo produto ou pela experiência de consumo?
2. Quem já ocupa o hábito dele no lugar onde vou abrir?
3. Tenho escala para pagar o aluguel enquanto o hábito não muda?
A Procafecol respondeu à primeira com otimismo e descobriu a resposta das outras duas com as lojas já abertas.
"Se o seu produto ganhasse um rosto amanhã, o cliente saberia dizer de onde ele vem?"
37 anos. Foi o tempo que o cafeicultor Carlos Sánchez vestiu o chapéu de Juan Valdez, de 1969 a 2006, segundo a Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia.
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