|
O erro: emprestar o próprio apelido por um valor único.
O que custa: a marca rende décadas, e o dono do apelido não vê a renda.
O que fica: contrato de imagem com participação e prazo.
Leônidas da Silva cedeu “Diamante Negro” à Lacta num momento em que nenhum jogador brasileiro tinha empresário, advogado de imagem ou contrato de licenciamento (a cessão do uso de um nome em troca de uma parte de cada venda).
O acerto parecia bom em 1938. O jogador recebeu na hora, por um apelido que nem tinha inventado, e a fama do momento podia evaporar na Copa seguinte.
A Copa seguinte não veio. A Segunda Guerra Mundial cancelou os torneios de 1942 e 1946, e Leônidas nunca mais disputou um Mundial. Sem Copa, o apelido sobreviveu justamente na embalagem do chocolate.
O chocolate seguiu vendendo nas décadas de 1950, 1960 e 1970, quando Leônidas já trabalhava como comentarista esportivo no rádio de São Paulo. A marca crescia, e o jogador que deu o nome a ela não tinha parte nenhuma do resultado.
Não se sabe se Leônidas tentou renegociar o acerto. As biografias registram que ele falava do chocolate com orgulho em entrevistas, e nenhum processo dele contra a Lacta aparece nos registros públicos sobre a marca.
O caso ensina dos dois lados do balcão. Para a empresa, nome de pessoa famosa só vale como marca de longo prazo quando o contrato prevê o futuro; para quem cede, o apelido vira ativo (bem que gera renda) que dura mais que a carreira.
A Lacta, por sua vez, nunca dependeu da imagem do atleta. A embalagem não trazia o rosto de Leônidas, e a barra seguiu vendendo para gente que nem sabia de onde vinha a expressão.
Hoje, contrato de atleta com marca costuma trazer participação nas vendas, prazo de uso e cláusula sobre o destino da marca quando a parceria acaba. Em 1938, nenhuma dessas proteções existia no futebol brasileiro.
Três perguntas antes de emprestar um nome
1. A remuneração acompanha as vendas ou termina quando o contrato é assinado?
2. Por quanto tempo a empresa pode usar o nome, e o que acontece quando o prazo vence?
3. Se a marca durar mais que a sua carreira, quem fica com o resultado?
“Se o seu nome virasse marca amanhã, você saberia quanto ele vale daqui a noventa anos?”
7 gols. Foi o que Leônidas da Silva marcou na Copa de 1938, como artilheiro do torneio (FIFA, registro oficial da Copa de 1938).
|