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Em julho de 1990, o consumidor britânico que parou na banca da estação para comprar a barra de sempre encontrou o mesmo retângulo de chocolate com amendoim, caramelo e nougat dentro de um papel que trazia outra palavra impressa. Onde estava escrito Marathon havia vinte e dois anos, passou a estar escrito Snickers.
A receita não mudou. O peso não mudou. A fábrica britânica que produzia a barra desde os anos 1960 continuou produzindo a mesma coisa, na mesma linha.
O que mudou foi a palavra, e a palavra era a única parte do produto que o comprador britânico usava para pedir a barra no balcão. Marathon tinha sido o nome local desde 1968, escolhido pela filial inglesa da Mars porque Snickers soava mal em inglês britânico, perto demais de knickers, a calcinha, e de snigger, o riso de deboche.
Por duas décadas, a mesma barra teve dois nomes no mundo. Snickers nos Estados Unidos e na maior parte dos mercados, Marathon no Reino Unido e na Irlanda, com embalagem, campanha e material de ponto de venda produzidos em duplicata para cada lado.
A troca de 1990 encerrou a duplicata. A companhia anunciou a mudança com campanha de televisão, imprimiu papéis de transição que traziam as duas palavras juntas para o comprador entender que se tratava do mesmo produto, e em poucos meses o nome antigo saiu de circulação.
No ano seguinte veio a segunda dose. Em 1991, o Raider, biscoito coberto de chocolate e caramelo vendido com esse nome na Alemanha, na França e em boa parte da Europa continental, passou a se chamar Twix, alinhando também esse produto com o nome usado no mercado americano.
Duas trocas em dois anos, feitas pela mesma companhia, com a mesma lógica por trás: um produto, um nome, um pacote de comunicação servindo o planeta inteiro em vez de uma coleção de marcas locais que a empresa administrava separadamente.
A pergunta que interessa não é se a Mars podia fazer a troca. Ela podia, era dona dos dois nomes. A pergunta é o que ela ganhou ao unificar e o que exatamente ela colocou na mesa para pagar, e para responder isso é preciso medir primeiro quanto vale um nome único numa prateleira global.
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