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O erro: tentar apagar uma crítica pública e deixar a marca refém da própria reação.
O que custa: o cliente passa a lembrar do ataque quando vê o nome.
O que fica: quem responde a uma crítica com censura multiplica a crítica.
Em março de 2010, a organização ambientalista Greenpeace publicou um vídeo contra o Kit Kat. No filme, um funcionário de escritório abria a barra e mordia um dedo de orangotango, no lugar do wafer.
A acusação mirava o óleo de palma. O Greenpeace afirmava que a Nestlé comprava o óleo de fornecedores ligados à derrubada de florestas na Indonésia, onde vivem os orangotangos.
A primeira reação da Nestlé piorou o caso. A empresa pediu ao YouTube a retirada do vídeo, alegando uso indevido da marca. O filme saiu do ar e reapareceu em outros sites, agora com a história da tentativa de censura junto.
A página da Nestlé no Facebook virou campo de batalha. Usuários trocaram a foto de perfil por versões alteradas do logotipo do Kit Kat, e respostas ríspidas de quem cuidava da página espalharam a briga ainda mais.
A virada em dois meses
Em maio de 2010, a Nestlé anunciou um compromisso de cortar da sua cadeia de compras os fornecedores ligados ao desmatamento e passou a trabalhar com a ONG The Forest Trust (uma organização de auditoria florestal) para rastrear a origem do óleo.
O Greenpeace encerrou a campanha. A marca saiu do episódio com o compromisso público, mas o vídeo do orangotango seguiu circulando por anos como caso de estudo de comunicação de crise.
O Japão ajuda a medir o erro. No mercado japonês, a barra ganhou valor porque os clientes escreveram uma história nela. Na crise de 2010, a empresa tentou arrancar das mãos do público uma história que o público já estava contando.
A lição vale para qualquer marca com nome forte. O mesmo nome que vira amuleto também vira alvo. Quando o público se apropria da marca, para o bem ou para o mal, a empresa só controla a resposta.
Três perguntas para quem tem nome forte
1. A sua marca sabe de onde vem cada matéria-prima que carrega o nome?
2. Quem responde aos clientes nas redes tem regra escrita para crise?
3. A resposta a uma crítica corrige o problema ou tenta esconder o vídeo?
Dois meses. Foi o tempo entre o vídeo do Greenpeace, em março de 2010, e o compromisso da Nestlé contra o desmatamento, anunciado em maio do mesmo ano, segundo a própria Nestlé.
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