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O erro: manter na embalagem um nome que o comprador não lê, não pronuncia e não repete, e tratar a distância entre a fala dele e o rótulo como problema de educação do público.
O que custa: cada venda passa a depender do gesto de apontar. O cliente aponta o produto na prateleira, descreve o desenho, chama pela cor da tampa, e a empresa paga publicidade para ensinar uma palavra que a boca dele rejeitou. O comerciante que anota a encomenda escreve o apelido, não a marca, e o histórico de vendas fica registrado com um nome que a fábrica não controla.
O que fica: o rótulo pertence a quem paga a lata. Nome que o freguês já formou sozinho custa zero para instalar e nunca sai da cabeça dele.
O segundo erro é apagar a imagem que gerou o apelido. Empresa que moderniza a embalagem e remove a ilustração original corta a ponte entre a palavra e o desenho, e a geração seguinte herda um nome sem explicação visual. A camponesa da lata brasileira sobreviveu a mais de cem anos de redesenho justamente porque ela sustenta o nome.
O terceiro erro é aceitar o apelido na conversa e recusá-lo no documento. Marca que usa a expressão popular na propaganda e mantém outro nome no registro e na nota fiscal cria duas identidades para o mesmo produto, e o revendedor fica sem saber qual delas pedir ao distribuidor.
O quarto erro é adotar qualquer apelido que apareça. Nome vindo do público serve quando descreve o produto com afeto e sem defeito embutido; apelido nascido de reclamação ou de piada instala na marca a lembrança da falha. A escuta precisa separar o carinho do deboche antes de levar a palavra para a embalagem.
Três perguntas testam qualquer nome de produto em circulação hoje:
1. Como o seu cliente pede o seu produto quando ele não está falando com você, e essa palavra está impressa em algum lugar da embalagem?
2. Existe na sua embalagem uma imagem que o comprador consiga descrever em duas palavras sem ler nada?
3. Se a freguesia já batizou o seu produto, o que impede a sua empresa de registrar esse nome, além do orgulho de quem escolheu o nome atual?
A Nestlé respondeu as três com uma troca de rótulo. O leite que chegou ao Brasil vendido como Milkmaid virou Leite Moça na boca do armazém, e a camponesa com o balde continua na frente da lata que sai hoje do supermercado, com o nome que o comprador entregou de graça.
"Qual palavra o seu cliente já usa para pedir aquilo que você vende?"
1890. Foi o ano em que o leite condensado da lata da camponesa chegou ao Brasil ainda com rótulo em inglês, segundo o histórico publicado pela Nestlé Brasil.
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