A resposta de ontem Quem assumiu a maison Pierre Cardin depois de 2020? Rodrigo Basilicati-Cardin, sobrinho-neto do costureiro e engenheiro de formação, assumiu a presidência da maison. Passou a rever e cortar licenças antigas para devolver a etiqueta às casas de moda de Paris, e lançou coleções novas tiradas do arquivo de desenhos do tio-avô. |
O engenheiro Ichiro Suzuki, escolhido como chefe do projeto F1, recebeu uma lista de metas que os colegas chamavam de impossível. O carro tinha de passar de 250 km/h, gastar pouco combustível, pesar menos que os alemães e rodar mais quieto que todos eles.
As metas brigavam entre si. Motor forte costuma beber muito, e carro silencioso costuma pesar pela espuma e pelo isolamento extra. Suzuki recusou escolher um lado e cobrou as duas pontas ao mesmo tempo.
Em 1985, uma equipe da Toyota alugou uma casa em Laguna Beach, na Califórnia, para observar de perto os clientes de carro de luxo: onde jantavam, como se vestiam, o que esperavam de uma loja e do atendimento depois da compra.
A equipe voltou ao Japão com uma conclusão simples. O comprador rico americano queria conforto e prestígio, e odiava perder tempo na oficina. Confiabilidade virou argumento de luxo.
Suzuki levou a lição até a linha de montagem. O LS 400 saía da fábrica de Tahara, no Japão, numa área dedicada ao carro, com operários escolhidos entre os mais experientes da empresa e inspeção extra antes do embarque.
Os protótipos rodaram em pistas japonesas, nas autoestradas alemãs e no deserto do Arizona, sob calor e frio extremos, para testar o carro nas condições de cada mercado.
O motor desenhado do zero
O V8 de 4 litros, com 250 cavalos, nasceu sem herdar peça de nenhum motor da Toyota. Os engenheiros apertaram as tolerâncias (a folga permitida entre uma peça e outra) a frações de milímetro para cortar a vibração na fonte.
A carroceria recebeu o mesmo cuidado. O coeficiente de arrasto (a medida da resistência do ar contra o carro; quanto menor, mais fácil ele corta o vento) ficou em 0,29, número baixo para um sedã grande da época.
O consumo também tinha alvo político. Suzuki queria escapar do gas guzzler tax (imposto federal americano cobrado sobre carro beberrão), que pesava na etiqueta de vários modelos alemães de luxo.
Quem cobra preço de luxo vende primeiro o silêncio da cabine.
Pelo histórico oficial da Lexus, publicado pela Toyota, o projeto mobilizou 60 designers, 1.400 engenheiros e 2.300 técnicos, e consumiu cerca de 450 protótipos antes da versão final.
O custo passou de 1 bilhão de dólares, valor que a Toyota bancou sem saber se o comprador americano pagaria preço alemão por um carro japonês.
O resultado saiu na estrada. Revistas americanas de automóveis mediram a cabine do LS 400 mais silenciosa que a dos rivais de Stuttgart e Munique, a cidade da BMW, em velocidade de rodovia.
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