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O erro: a Bombril tratou o nome virado sinônimo como muralha, e ele nunca foi muralha. A palavra morava na cabeça do cliente, mas o produto que ia pro carrinho era escolhido no metro quadrado da gôndola, com a etiqueta de preço ao lado.
A conta: manter o nome no ar e o pacote no melhor espaço da loja custa dinheiro todo mês. Quando o caixa aperta e a televisão sai, a palavra continua funcionando, só que passa a trabalhar pra quem estiver ocupando o lugar.
O que ficou: em janeiro de 2002 a Assolan tinha 9,5% do mercado de lã de aço. Em dezembro de 2003 tinha 27%, e no pico chegou a 30% do volume vendido, com a Bombril na casa dos 41%.
A abertura apareceu na hora certa pro concorrente. A controladora italiana entrou em colapso financeiro no começo dos anos 2000, a empresa brasileira foi puxada pra uma crise societária que a levou pra perto da quebra, e a verba de mídia secou.
Do outro lado havia caixa. João Alves de Queiroz Filho tinha acabado de vender a Arisco por cerca de 490 milhões de dólares e usou parte do dinheiro pra recomprar, em 2002, a dona da Assolan, marca de 1958 que quase ninguém citava.
O plano começou pela fábrica, não pela propaganda. A Assolan comprou concorrentes regionais pra ganhar capacidade, incluindo Help e Brilmis em 2003, e chegou a somar oito fabricantes menores pra dar conta do volume.
Aí veio o ataque no ponto exato. Preço abaixo do líder na mesma gôndola, mídia comprada justamente no período em que a Bombril tinha sumido da televisão, e uma promessa curta: é a mesma esponja de aço e custa menos.
O sinônimo entregou o cliente na porta do concorrente. Quem ia ao mercado pedindo bombril não estava pedindo a fábrica de São Bernardo do Campo, estava pedindo esponja de aço, e a mão pegou a mais barata dentro do mesmo espaço.
O personagem ainda virou moeda de guerra. Com a campanha encerrada, a Assolan procurou o ator pra ser o rosto dela e recebeu uma recusa. Em 4 de junho de 2006, com a fatia em queda, a Bombril trouxe o garoto-propaganda de volta ao ar.
A liderança voltou mais estreita. A empresa se reorganizou, retomou a dianteira e empurrou a concorrente de volta pra 26% em 2004, mas o mercado nunca mais foi o de 90% com o preço definido por uma companhia só.
A régua vale pra qualquer marca que virou sinônimo. A palavra mede lembrança, não preferência, e lembrança só cobra prêmio enquanto a marca segue pagando presença na loja, presença na mídia e um motivo visível pro preço maior.
Na sua casa a mesma conta está aberta em vários armários. O cotonete que não é da marca, a gilete de outro fabricante, o durex de qualquer rolo: em todos, o cliente pede o nome de uma empresa e leva pra casa o produto de outra.
A palavra ficou com a categoria inteira. O preço fica com quem ocupa a prateleira.
"Quantas marcas você chama pelo nome sem olhar quem fabricou o que foi parar no carrinho?"
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