|
O erro: escolher como assinatura de marca um número que o mundo consegue conferir, do tipo "mais de 500 clientes atendidos", "12 anos de mercado" ou "38 sabores", e ficar refém de manter o número verdadeiro para sempre.
O que custa: o número verdadeiro envelhece sozinho. No ano seguinte já são 14 anos de mercado, 41 sabores, 620 clientes, e a empresa precisa reimprimir rótulo, refazer fachada, atualizar site e treinar vendedor. O gasto se repete a cada ciclo e nada se acumula, porque o sinal muda antes de o consumidor terminar de memorizá-lo.
O que fica: quem crava um sinal arbitrário paga uma vez e acumula para sempre; quem crava um sinal verificável paga todo ano para voltar à estaca zero.
O segundo erro é imaginar que a arbitrariedade do sinal autoriza promessa falsa. Existe distância entre um algarismo decorativo e uma afirmação de desempenho. "57" não diz ao comprador que ele receberá 57 produtos, porque vem colado ao nome da casa e funciona como identificação. Já "reduz 40% do consumo de energia" é afirmação de resultado, e afirmação de resultado sem estudo nomeado atrás vira processo no órgão de defesa do consumidor.
O terceiro erro é abandonar o sinal no primeiro tédio interno. A equipe de marketing convive com a marca oito horas por dia e cansa dela anos antes do comprador, que a vê por três segundos na gôndola a cada quinze dias. Comitê entediado propõe atualização; o consumidor, que ainda estava aprendendo, perde a referência.
Existe um quarto erro, mais silencioso: escolher um sinal que já pertence a outro. Algarismo redondo e óbvio costuma estar ocupado na mesma categoria, e o pedido de registro cai no exame por colidir com marca anterior. O 57 passou porque combinava dois dígitos sem significado no setor de conservas e vinha amarrado ao sobrenome do fundador.
Três perguntas testam qualquer assinatura numérica em uso hoje:
1. O seu número depende de algum fato que muda sozinho no ano que vem, como tempo de mercado, quantidade de itens ou total de clientes?
2. Se a resposta for sim, quanto custa reimprimir embalagem, fachada e material de venda toda vez que o fato mudar?
3. Há quantos anos a sua assinatura está idêntica, e quantas vezes ela foi alterada por vontade interna, sem pedido nenhum vindo de comprador?
Henry John Heinz respondeu as três sem formular nenhuma delas, porque o algarismo que ele escolheu no trem não tinha como ficar desatualizado. A companhia manteve o rótulo intacto durante guerras, mudanças de controle acionário, entrada em dezenas de países e a substituição do vidro pela embalagem plástica.
"Quantos anos a sua assinatura de marca conseguiria ficar parada sem incomodar ninguém de fora?"
57. Foi o algarismo que Henry John Heinz mandou imprimir no rótulo em 1896, com o catálogo da H. J. Heinz Company já acima de 60 produtos, segundo o registro reunido por Robert C. Alberts em "The Good Provider", de 1973.
|