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Quase todo produto de luxo se defende com preço. Sobe a etiqueta, a demanda cai até caber na oferta, e o item vira caro sem nunca virar difícil. A Hermès faz o contrário no seu produto mais desejado. Ela mantém o preço de tabela num patamar que o mercado considera baixo demais e defende a raridade pela produção, com bolsas montadas por um único artesão do começo ao fim, em jornada medida em horas de bancada. O prêmio de marca que sai dessa escolha aparece nos números do grupo:
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I O Prêmio de Marca
A bolsa que não se pode simplesmente comprar
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| • | Preço de tabela de uma Birkin básica: cerca de 10 mil dólares |
| • | Receita do grupo Hermès em 2024: cerca de 15,2 bilhões de euros |
| • | Margem operacional recorrente do grupo em 2024: acima de 40% |
O primeiro componente do prêmio é o prêmio de revenda. Uma bolsa que sai da loja valendo mais do que custou transforma cada cliente atendido em prova viva de que a casa entrega valor, e transforma cada cliente não atendido em alguém que continua tentando.
O segundo é a ausência de desconto. Uma marca que nunca marca preço para baixo nunca ensina o cliente a esperar a promoção, e o cliente que não espera promoção compra no preço cheio o ano inteiro.
O terceiro é o controle da distribuição. A casa vende principalmente em lojas próprias, decide o que entra em cada uma delas e não terceiriza a decisão para um varejista que precisaria girar estoque.
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"O consumo conspícuo de bens valiosos é um meio de reputação para o cavalheiro de lazer."
> Thorstein Veblen, A Teoria da Classe Ociosa, 1899
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Veblen descreveu o mecanismo mais de um século antes da primeira Birkin existir. O bem serve de sinal justamente porque nem todo mundo consegue exibir o mesmo bem, e a dificuldade de obtenção faz parte do valor comprado.
Existe, porém, uma diferença enorme entre um produto difícil e um produto racionado por regra. Produto difícil é o que a fábrica não consegue produzir mais rápido, e produto racionado por regra é o que a empresa decide entregar a uns e negar a outros segundo um critério.
A Birkin vive exatamente na fronteira entre as duas coisas. A casa insiste que a limitação é industrial, ligada ao tempo de formação de artesão e ao couro disponível, e parte dos clientes descreve outra experiência ao chegar no balcão.
Essa fronteira é onde a marca ganha ou perde. Enquanto a escassez é lida como consequência do cuidado, ela agrega valor. No momento em que passa a ser lida como manobra comercial, o mesmo fato vira acusação.
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