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A cor entrou na marca por decisão de embalagem, não de marketing moderno. A Cadbury adotou o roxo por volta de 1914 e passou a usá-lo na barra Dairy Milk a partir de 1920, com a versão da casa de que o tom foi escolhido em homenagem à rainha Vitória.
O tom não ficou parado. O roxo passou por ajustes ao longo do século, até ser fixado no código Pantone 2685C, e o número transformou uma preferência de fábrica numa especificação repetível em qualquer gráfica do mundo.
Padronizar a cor é o que permite protegê-la. Enquanto o roxo era descrito por adjetivo, cada lote de embalagem podia variar, e variação de tom derruba qualquer alegação de que o público reconhece exatamente aquele tom.
O ativo que a cor sustenta é grande. A Dairy Milk é a barra de chocolate mais vendida do Reino Unido há décadas e responde por uma fatia central do faturamento da fabricante no país, com presença em praticamente todo canal de varejo alimentar.
A empresa também não é pequena no papel. Fundada em Birmingham em 1824, a Cadbury foi comprada pela americana Kraft em 2010 por cerca de 11,5 bilhões de libras, e a operação ficou depois sob a Mondelez.
O que o roxo faz na gôndola é atalho de identificação. Numa fileira de barras onde quase toda embalagem é marrom, dourada, vermelha ou azul, o bloco roxo fecha a decisão antes de o cliente ler qualquer letra.
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Cor é o elemento de marca que trabalha na distância mais longa. Logotipo exige foco, texto exige leitura, e a cor chega ao olho de vários metros e em visão periférica, o que a torna cara de construir e cara de perder.
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A empresa tratou o tom como propriedade desde cedo. Já havia registro do roxo associado a barras de chocolate no Reino Unido desde 1995, e a disputa de 2013 nasceu de um pedido novo, depositado em 2004 para cobrir uma lista mais ampla de produtos.
A prova apresentada não era opinião de escritório. A companhia levou pesquisas de reconhecimento, décadas de material publicitário e volume de vendas para mostrar que o consumidor britânico ligava aquele roxo específico a uma origem única.
O tribunal de primeira instância aceitou o conjunto. Em 2012 a decisão registrou que a cor havia adquirido caráter distintivo pelo uso, ou seja, deixou de ser decoração e virou sinal de procedência aos olhos do público.
Distintividade adquirida é a porta estreita por onde uma cor entra no registro. Nenhuma empresa nasce dona de um tom, e a lei europeia só admite a proteção quando o uso prolongado prova que o público faz a ligação sozinho.
O prêmio embutido no registro tem duas partes. A primeira é defensiva, o direito de barrar concorrente parecido, e a segunda é comercial, porque um tom exclusivo dispensa parte do investimento em explicar quem fabrica o produto.
Com um ativo desse tamanho e uma vitória em primeira instância no bolso, restava a pergunta prática de cartório: o que exatamente a empresa escreveu no pedido para delimitar o uso daquele roxo?
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