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Existe uma fronteira invisível na vida de todo produto durável: o momento em que ele deixa de ser vendido pela marca e passa a ser vendido por terceiros. Carro, bolsa, tênis de edição, instrumento musical, relógio. Do lado de cá da fronteira, a empresa controla preço, apresentação, discurso e experiência. Do lado de lá, ela não controla nada. Na maioria das categorias, esse território estrangeiro é pequeno e barato. O produto usado vale uma fração do novo, o comprador aceita o risco em troca do desconto e a marca não perde muito ao ignorar o assunto. Em algumas categorias, a proporção se inverte. O tamanho do território estrangeiro aparece em números diretos:
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I O Prêmio de Marca
Quem manda no produto depois da caixa
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| • | Ano em que o programa de certificação de peças usadas foi lançado: 2022 |
| • | Idade mínima da peça para entrar no programa: três anos desde a venda original |
| • | Prazo da garantia emitida pela marca no relógio certificado: dois anos |
O primeiro componente do prêmio é a autoridade sobre a autenticidade. Numa categoria em que a peça falsificada ficou boa o suficiente para enganar comprador experiente, quem consegue dizer com autoridade final o que é verdadeiro detém um poder que nenhum concorrente compra com mídia.
O segundo é o controle do preço de referência. Enquanto a marca fica de fora, quem define quanto vale o modelo de dez anos atrás é um agregador de anúncios ou um revendedor com estoque para girar, e a curva de preço do produto passa a ser escrita por gente que não tem compromisso com a saúde da marca no longo prazo.
O terceiro é a captura do cliente na entrada. O comprador de primeira peça quase nunca começa pelo modelo novo com fila de espera. Ele começa pelo usado, e durante décadas essa primeira conversa aconteceu inteiramente fora da loja oficial, com um vendedor que não representava ninguém.
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"Uma marca é um conjunto de ativos vinculados ao nome e ao símbolo, que somam ou subtraem valor ao produto."
> David Aaker, Managing Brand Equity, 1991
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A definição de Aaker deixa clara a natureza do problema. Se o ativo se soma ou se subtrai conforme o que acontece com o nome, cada peça remontada com componente errado circulando com o logotipo no mostrador subtrai valor de um patrimônio que a empresa levou um século para acumular.
A consequência comercial é uma inversão de papéis. Numa categoria comum, o mercado secundário é uma sobra que a marca despreza. Numa categoria de objeto durável e desejado, o secundário é a vitrine que mais gente visita, e ela estava sendo montada por estranhos.
O produtor que ignora esse território não fica neutro, fica ausente. Ele entrega para terceiros a definição do que o próprio produto significa na cabeça de quem ainda não comprou, e depois gasta em campanha para consertar a percepção que a revenda formou de graça.
Por trás dessa vantagem existe uma decisão difícil que quase nenhuma marca de luxo tinha tomado. Alguém precisou aceitar colocar o próprio selo em cima de um produto que não estava mais novo, e cobrar por ele.
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