|
Carolyn Davidson ouviu de Phil Knight, em 1971, um aceite sem entusiasmo pelo desenho da curva. O próprio Knight reconstituiu a cena nas memórias Shoe Dog, lançadas no Brasil como A Marca da Vitória.
“Não amo, mas talvez cresça em mim”, escreveu Phil Knight sobre o Swoosh em Shoe Dog (2016).
A frase resume o clima da reunião. Knight tinha formação em contabilidade e olhava para o desenho como olhava para uma planilha: precisava funcionar, não precisava emocionar. Os sócios presentes também não vibraram, e ninguém propôs pagar além do combinado.
A dúvida tinha prazo. A fábrica contratada no México precisava do desenho para estampar a primeira leva de chuteiras de futebol da marca nova, e não havia tempo para outra rodada de esboços.
A fatura de 1971
Davidson cobrou pelo relógio, como tinham combinado. A conta cabe em três linhas:
1. 17,5 horas de desenho e ajuste.
2. 2 dólares por hora, a tarifa de estudante.
3. 35 dólares no total, pagos pela Blue Ribbon Sports.
A empresa pagou pela identidade visual uma quantia menor do que cobrava por alguns pares da própria prateleira, num ano em que ainda contava cada dólar de estoque.
Faltava ainda a palavra para escrever ao lado do traço. Knight queria Dimension Six (Dimensão Seis, em inglês), proposta sem apoio dentro da firma. Jeff Johnson, o primeiro funcionário da empresa, contou ter sonhado com Nike, a deusa grega da vitória, e a sugestão dele venceu na véspera do prazo da fábrica.
A curva ganhou apelido por onomatopeia: swoosh (o som de algo cortando o ar depressa, em inglês). O traço de Davidson cumpria a encomenda do movimento sem desenhar pé, asa ou pista.
O símbolo da Nike foi pago na tarifa de uma aluna.
A estreia pública veio em 1972, nas seletivas olímpicas americanas de atletismo em Eugene, no Oregon, cidade onde Bowerman treinava a equipe da universidade estadual. Corredores calçaram o modelo com a curva na lateral, e a marca apareceu pela primeira vez diante de uma arquibancada de atletismo.
Os primeiros pares saíram com a curva costurada em couro branco sobre o cabedal, a parte de cima do calçado. O traço fino de Davidson precisou engrossar um pouco para resistir à agulha da fábrica mexicana sem perder o desenho.
Davidson seguiu na empresa como designer até 1975, criando anúncios, catálogos e material de loja. Quando a Nike cresceu e entregou a publicidade a agências de fora, ela abriu o próprio estúdio em Portland.
|