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O erro: editar o catálogo de um país apagando pessoas das fotos para agradar o mercado local.
O que custa: a peça que levava a marca para dentro de casa vira prova contra ela.
O que fica: um pedido público de desculpas e a promessa de revisar como as edições locais eram feitas.
Em outubro de 2012, o jornal sueco Metro comparou a edição saudita do catálogo da IKEA com a sueca, página por página. As fotos eram as mesmas, com uma diferença: as mulheres tinham sido retiradas das imagens da Arábia Saudita.
Numa das cenas, uma família aparecia no banheiro, em volta da pia. Na versão saudita, a mulher de pijama tinha sumido, e o resto da imagem ficou igual, com os móveis no lugar.
A edição saudita era produzida por uma franqueada local. A Inter IKEA Systems, dona da marca, também aprovava o material, e o retoque passou pelas duas empresas.
A reação veio da Suécia. A ministra do Comércio, Ewa Björling, criticou a empresa em público, e o caso chegou à imprensa internacional em poucos dias. O apagamento soou como traição numa marca que vendia a família sueca, com pai e mãe dividindo a casa, como modelo.
A IKEA divulgou um comunicado lamentando o ocorrido e reconhecendo que tirar as mulheres das fotos contrariava os valores do grupo. A empresa prometeu revisar o processo de produção das edições locais.
O erro pesou porque o catálogo era a voz da marca dentro de casa. Um anúncio de televisão passa em segundos; o catálogo ficava um ano na mesa da sala, e cada página retocada podia ser comparada com a original.
Três perguntas antes de adaptar uma peça a um país
O caso deixa um roteiro para qualquer marca que adapta a mesma peça a mercados diferentes.
1. A mudança local apaga algo que a marca diz defender no país de origem?
2. Se alguém comparar as duas versões lado a lado, a marca consegue explicar a diferença em público?
3. Quem aprova a versão local conhece os valores escritos da empresa, ou só a regra do mercado?
Kamprad tinha deixado o alerta por escrito. No “Testamento de um comerciante de móveis”, de 1976, ele escreveu: “Só quando dormimos não cometemos erros”. A IKEA errou acordada, com o catálogo aberto em milhões de casas.
“Se alguém pusesse lado a lado as versões da sua marca em dois países, você assinaria as duas?”
200 milhões de exemplares. Foi a tiragem do catálogo da IKEA em 2016, o ano de pico, em 69 versões e 32 idiomas (Inter IKEA Systems, 2016).
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